
Thiago eu analisei seu currículo e gostei muito, mas como no jornal só há mulher e vc seria o primeiro homem, resolvi perguntar ao dono do jornal, ou seja, meu chefe pq ele não havia contratado homem. E tb falei de vc para ele e como eu havia gostado do seu currículo. Mas a resposta dele foi um tanto definitiva. Segundo o dono do jornal ele não trabalha com homem pq ele é estressado demais e que por isso já teve muitos problemas com homens pq tb tem o sangue mais quente. Nós mulheres já brigamos com ele imagina um homem? Te peço desculpas mesmo. Se dependesse de mim vc já estava no jornal. Mas o fato de ser editora chefe não me dá o poder de passar por cima do dono do jornal. Vc tem um ótimo currículo. Mas torço que vc consiga tudo q deseja na vida. E mais uma vez desculpa.
Palhaçada
O parágrafo transcrito acima é um email de resposta da redação de um pequeno jornal do Rio de Janeiro para um estudante do 6º período de Jornalismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro que buscava um trabalho temporário. No caso, eu. Tive interesse em enviar meu currículo após ouvir de uma amiga que poderia fazer reportagens para o veículo, de forma não remunerada, mas que, ao menos, teria a oportunidade de praticar meu texto.
Poderia focar meu texto no preconceito do jornal ao fazer esta palhaçada. Se houvesse uma resposta com a justificativa de negar minha contratação por eu ser negro ou mulher, talvez o impacto do email fosse maior. Uma resposta como a que recebi merece risos da minha parte e não a indignação. Vieram muitos com a idéia que eu movesse uma ação contra este jornal que confesso nem saber o nome. Nem vendido é, apenas distribuído em pontos públicos do Rio. Adotei a tese do "deixa pra lá".
Mas depois passei a pensar em outros aspectos. Refleti sobre como profissionais deste tipo podem estar no mercado. O indivíduo quando escolhe ser jornalista no início sempre tem aquele sonho de mudar o mundo com um lápis e bloquinho. Depois descobre que a coisa não é tão simples assim. A ralação é grande e nem sempre você vai descobrir grandes furos em Brasília. Ás vezes vai ter que se contentar com um enterro de um traficante ou uma ida ao IML. É uma profissão muito bonita, pouco valorizada, como professor. E aqui não quero defender a classe. Longe disso.
Analisando o email, é nítida a falta de preparo e de seriedade do meio de comunicação citado. Com certeza, não possuem a utopia inicial de todo estudante e, muito menos, um pingo de profissionalismo. Este pequeno parágrafo talvez seja o retrato de boa parte (sem generalizar) da imprensa nacional.
O site Comunique-se, na semana passada, colocou no ar uma reportagem sobre a palestra de Ricardo Noblat (blogueiro mais famoso do momento) e Marcelo Beraba (ombudsman da Folha de São Paulo) em que avaliam o papel da imprensa na cobertura do governo Lula. Noblat elogiou exageradamente o trabalho feito, enquanto Beraba preferiu ser mais comedido ao dizer que tudo só veio a tona graças ao vazamento de um deputado da base do governo. Prefiro ser mais duro.
Os meios de comunicação nacionais vêm evoluindo assim como toda a sociedade brasileira. Um operário no poder, independente da avaliação de sua competência ou não para governar, é um avanço considerável. No entanto, vemos progressos na tecnologia, na apuração de matérias, na qualidade do jornalismo, mas não ocorre o mesmo na abertura do setor para outros concorrentes.
Já escrevi isso nesse blog. A imprensa brasileira é comandada durante muito tempo pelas mesmas famílias. São os mesmos que apoiaram a ditadura, apoiaram Collor e que são viúvas do tucanato. Não bateram muito em Lula por este manter a política econômica anterior e por saber que o PT no poder poderia abrir CPI de privatizações, compra de votos, etc. O acordo PT-PSDB na CPI do Banestado é nojento, o Brasil perdeu uma grande chance de pôr muita gente na cadeia.
A mídia hoje revolta porque não vai a fundo nas ligações PSDB/Marcos Valério, no que Daniel Dantas estaria por trás de toda esta crise, o que Palloci fez realmente em Ribeirão Preto durante sua gestão. E o principal. Não buscam o envolvimento de Lula e FHC no esquema da compra de votos em seus governos. Palloci, Lula, FHC são os republicanos corretos. José Dirceu, o vilão com a cabeça a prêmio.
O Globo, Folha, JB e Estadão agem para poupar estes símbolos de manutenção da política econômica sejam petistas ou tucanos. Por Veja e Isto é, a despeito de seu conflito particular, Lula estaria deposto com os fundamentos da economia mantidos. Primeira Leitura também adota esta posição apesar da crítica ao modelo Palloci. Mas sua oposição ao PT beira a doença fazendo com que a revista se esqueça de criticar outros partidos. Carta Capital e Caros Amigos não definem com firmeza o seu repúdio a figura do presidente, preferem bater no PSDB. Ou seja, todos incompletos. Todos de acordo com os seus interesses.
A questão não é exigir do jornalismo brasileiro uma imparcialidade. Não. Eles têm todo o direito de expressar sua opinião. Que me desculpe o Dines, mas a Veja tem todo o direito sim de colocar na capa a sua oposição ao desarmamento. O problema é quando você abre a revista e se depara com jornalismo ruim. Com jornalismo falso. Com jornalismo mau caráter. Por exemplo: a Veja tem, também, todo direito de denunciar a distribuição de Ipods pela gravadora de Maria Rita, mas não custa nada apurar o que fizeram os jornalistas que receberam o presente. Muitos devolveram. Não foi divulgado.
Não é perseguição com a revista dos Civita. Todos têm seus casos de jornalismo ruim. Isto é tem inquérito na Polícia Federal por ter feito, possivelmente, uma capa comprada alardeando o sucesso da Nova Schin. Fora a entrevista de Fernanda Karina que a revista de Domingo Alzugaray, estranhamente, segurou por quase um ano. O Globo tem FHC, candidatíssimo a Presidência da República em 2006, como um de seus colunistas. Não esqueço quando nas eleições municipais do ano passado, o sociólogo colocou no título da sua coluna: Vote Serra. Tudo bem um jornal ter posição, já escrevi acima. Mas não me venha ele depois escrever nos seus editoriais que é imparcial. Carta Capital e Caros Amigos defendem Hugo Chavez como modelo de governo a ser seguido. Vejo nas suas páginas só os dados de crescimento dos últimos dois anos. Não vejo os dados anteriores, de recessão que inflam a estatística do PIB atual. Não vejo referência ao aumento da pobreza do país. É como a Argentina de Kirchner.
Todas têm seus defeitos. E virtudes, claro. Evoluíram? Sim. Fazem uma boa cobertura da crise política? Diria que mostram muitos dados, denunciam muito, mas faltam informações. Quem são os corruptores, quais políticos e partidos fazem o tal de caixa dois e a cereja do bolo: até que ponto FHC e Lula sabiam das maracutaias de seus tesoureiros e articuladores?. Periga Brasília ficar ás moscas. Até tu, PSOL?
Resolvi então fazer um bem para a imprensa brasileira. Estou procurando me informar sobre como processar este jornal preconceituoso. As informações dizem que posso ganhar até quarenta salários mínimos na justiça comum. Destruir este pequeno jornal será o primeiro objetivo político de minha vida. Estado do RJ, o nome. Distribuído em locais públicos como barcas e metrô (nunca vi; enfim).
Melhor cortar na raiz este tipo de gente e, quem sabe, ganhar um trocado. Nada mal para quem fazia contas para viajar no carnaval. Sem mover um único dedo, me dou bem assim como muita gente nessa crise política. Teve assessora parlamentar posando nua, secretária virando candidata e bandido doleiro com status de herói.
Tenho a chance de desbancar um idiota como este chefe. Quero este oportunismo, aparecer mesmo. Viva o Brasil palhaço.

18 Comments:
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Acho que a boa é lançar o movimento machista. Dentro do jornalismo atual vai ser bom para defender os interesses da nossa minoria.
Tu vai processar mesmo, é sério? Meio desgastante, não?!
Mlk mto bom, tem que sair da inércia mesmo.Se quiser ajuda investigativa fala. Agora quanto à defesa do jornalismo parcial, me desculpa, mas isso foi um atestado de ingenuidade. O Dines é um velhinho bobo, mas imparcialidade é fundamental no "sonhado" direito à informação. Você já imaginou um leitor que nunca leu a veja ao ler a revista, e principalemente a matéria de capa? Você cometeu um erro de incoerência sério, ao criticar a postura da carta capital, primeira leitura etc, por não mostrar o outro lado, e defender o direito da veja tomar partido. São coisas inconciliáveis cara, o processo de editorialização jornalística (escolha de títulos, matérias que entram, corte e recorte) pode ser seriamente tendencioso mesmo que involuntariamente, e a nossa função, utilizando-se do senso crítico que nos é instruído na faculdade, é evitar essa tendenciosidade. E olha que o que eu adoro é manipular e influenciar opiniões, mas como jornalista, isso é crime de lesa-pátria. Pensa nisso! E ainda sugiro que mande uma carta para o jornal o globo sobre o ocorrido do jornaleco!Abracin
Atestado de ingenuidade é achar que é possível haver jornalismo imparcial. A partir do momento que se escolhe colocar uma manchete na capa de um jornal em detrimento de outra você já está sendo parcial. Do mesmo modo que com uma charge você também é parcial.
A Veja pode sim colocar em sua capa que é a contra o desarmamento, O Globo põe no seu editorial que é a favor ue. A Carta Capital em 2002 apoiou a eleição de Lula, se fosse a Veja apoiando o Olavo de Carvalho pra presidente era o cúmulo. Mino Carta declarando seu voto não.
Todos têm posições, mas a parcialidade da direita provoca a raiva. Não há problema em haver posição, há problema em fazer jornalismo mentiroso.
Como disse, Carta Capital tem todo o direito de apoiar o governo Chavez, mas não esconda os dados sociais.
escrevi malzão acima... foi rapidasso também... só mais uma coisa, repetindo sua frase e pegando um exemplo:
Carta Capital de 10/11/2004 tem Bush na capa com a manchete "Dane-se o mundo". Para nós que achamos este texano deplorável, nada demais. Para os conservadores também deve ser um absurdo ler isso, para eles Bush está salvando o mundo de ditadores e terroristas.
Todo mundo tem direito a ter opinião... a imprensa também...
Isso é o que a mediocridade apregoa. Então você está se contentando com os veículos atuais. Como ousa reclamar deles? Não é possível a felicidade, a imparcialidade e muitas outras "ades", todos são ideais a serem buscados. E foi ingênuo de novo uhauhauha ao comparar editorial com capa de jornal, editorial é o espaço que os veículos usam para veicular A SUA OPINIÃO. Óbvio que não existe uma matéria totalmente imparcial, mas sim isenta de interesses particulares, isso é a busca pela imparcialidade. E a veja não tem o direito de fazer o que fez, tanto é que na semana seguinte se "consertou". Não vou ficar discutindo sobre ética jornalística, mas existe um código e um media criticism que a apregoam, queira consultá-los. Assuma o erro e tenha mais agudez na mira hehe. Excrotooooon hahaha
Só para comprovar a busca pela imparcialdiade ou a tendenciosidade velada latente no nosso jornalismo. Pegue exemplares de jornais antigos. Alguns editoriais vinham na capa, agora na 3a. página ou na sexta no globo. Por que será?
tendencisodiade velada latente saiu como um embromation. Mas continuando.Voltar ao publicismo (venda de opiniões em jornais) seria um retrocesso. Pegue jornais antigos, da época de josé do patrocínio, e verá que os jornais eram meramente opinativos. Isso é uma coisa que irrita o leitor, então por que a tendenciosidade não irritaria? Não estavas cansado dos textos do azevedo? Malandrooon hehe
Ah e reli teu texto. Acho que o centro da confusão foi ousadia e imparcialidade. Uma coisa não limita a outra. Acho que no geral você devia ter usado a palavra independência, que expressa melhor os seus anseios. Enfim, mais agudez. Chatooooon!!! ehhe parei, é que não to fazendo nada e tou esperando um email
mt bom, mas você errou em uma coisa: na reportagem sobre o jabá de Maria Rita, a VEJA publicou realmente que alguns jornalistas tinham recusado o Ipod e que outros tinham devolvido(a mando de seus editores chefes). E a VEJA nunca se declarou "imparcial", até mesmo porque seria impossivel depois daquela capa do desarmamento. Considero a VEJA uma revista muito boa, como poucas no Brasil.
Abraços.
Bom pra começar, acho q tudo q vc escreveu foi mt bem escrito e coeso e mt bem defendido, porém, acho q, independentemente do veículo de informação ter direito ou não de defender uma idéia, antes de tudo ele tem(deveria) q ter responsabidade sobre o q escreve nas reportagens. Acho q coluna de opinião, é coluna de opinião, mas acho q qd tiver passando um fato numa reportagem, seja por revista, por jornal, etc deve antes de tudo ser imparcial_não teria melhor palavra pra concluir essa idéia. Bom, fico por aqui e mais uma vez adorei o seu texto, daria até pra fazer uma coluna sua no jornal... hehehehe( to rindo , mas eu acho isso msm! : )
beijosss
Imparcialidade completa de fato não existe,Thiago, mas acho q o q deve é a sua a busca. Isso sim é seriedade e profissionalismo. Eu não precisaria dizer o q vc já sabe, mas msm assim, falo: um meio de comunicação exerce uma influência tamanha na população, principalmente na massa "desintelectualizada", portanto não acho certo, como fazia por exemplo Lacerda, colocar calúnias a respeito de Vargas na primeira página, na época, e uma semana depois fazer a nota de esclerecimento de correção na contracapa na altura de onde se segura o jornal pra q ninguèm lesse. Isso é covardia. Os meios de comunicação deveriam, na verdade colocar as pessoas pra pensar, demosntrar os dois lados da moeda aí, sim, politizar as pessoas e cada um expressar como quiserem a sua opinião, mas com o coinhecimento verdadeiro das coisas, sem manipulação. Por isso volto no q disse no texto acima:se o jornal(ou qq outro) quer colocar opinião ridicularizando seja quem for, q coloque, mas q assine em baixo e não fique atrás do pano.
Thiago pára de relativizar tudo no mundo, as pessoas têm que tomar posição não interessa quais sejam. Prefiro os consevadores do que os "em cima do muristas", eles pelo menos, são autênticos e leais aos seus pensamentos.
Daniel, pára de ser subjetivo. Mas você está certo na sua posição.
Brunin, que horror!! Espero que vc esteja dizendo isso de sacanagem...
Comentários de Bernardo: "Daniel, você está certo. Brunin, você está de sacanagem."
Parcial ue... q q tem? pra mim nada... mas prefiria um "concordo com vc daniel" e "discordo de vc bruno" do que "vc está certo, vc está errado"...
É a velha história dos moleques de 20 anos.........
e eu vou me aborrecer com opnião de rockeiro??
Ah, porra...agora tenho que escrever tudo de maneira formal e polida. Foi um reducinismo, oras.
Não sou o oráculo de Delfos e sim um rockeiro sujo pretenso jornalista e intelectual. E tenho 20 anos, e isso é um blog, e ninguém além do nosso círculo de conhecidos lê.
Então, posso continuar dizendo: "O Daniel está certo, o Brunin tá de sacanagem e vc está em cima do muro" hahahahaha...ae vem um de vcs e rebate, ae eu bato de novo, e assim vamos vivendo, coexistindo pacificamente...valeu, o poeta!
ah, aproveita, sái um pouco de cima do muro e passa no meu blog pq eu atualizei.
http://b-sides.zip.net
Foda. Sem entrar no mérito do argumento...tá muito bem escrito e bem defendido.
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