
Kafka era um cara problemático. Se bobear criava dilema até para vestir a camisa que ia usar na corretora em que trabalhava. Kafkiano é, sem dúvida, sinônimo de agonia.
Parece que tinha um pai mala também. Foi por causa dessa relação conflituosa que ele escreve "Carta ao Pai", um livro muito bonito como tudo que já li até agora de sua obra (tirando Metamorfose, que é livro de maluco para mim).
Em Carta ao Pai, Kafka utiliza um recurso muito bom para argumentar com o seu pai. Ao invés de apenas expor os seus motivos, o escritor simula uma carta de resposta do pai e, logo em seguida, contra-argumenta, fazendo uma conclusão brilhante.
Então, vamos lá, tentar dar uma de Kafka. Pretensioso eu.
O que eles dizem
O Brasil vive hoje uma campanha hipócrita a favor do desarmamento. Com tantos assuntos mais relevantes para serem colocados em pauta como legalização do aborto e da maconha, foi escolhido justamente um em que a escolha final não mudará em absolutamente nada os destinos do nosso país. Estamos desviando o foco das ações que realmente deveriam ser tomadas: uma reforma na polícia, na justiça e no sistema penitenciário nacional.
É ingenuidade achar que a vitória do ?sim? no referendo vai tirar as armas de circulação no Brasil. A proibição, na verdade, vai aumentar o comércio ilegal de armas. E, claro, os criminosos não vão obedecer a proibição do comércio de armas.
O detalhe é que são muitos os casos de países em que a proibição da venda de armas apenas aumentou a criminalidade como a Inglaterra. E possivelmente ocorrerá o mesmo no Brasil diante da cada vez maior audácia dos bandidos. A campanha do Sim, inclusive, vende a idéia que a redução no número de homicídios em 8% tem a ver já com a campanha que foi feita anteriormente de devolução de armas e que atingiu a meta de quase 500.000 devolvidas. Mas a campanha do Sim não fala sobre a queda nos homicídios com objetos cortantes que ocorreu no período. Por acaso houve uma campanha de recolhimento de facas?
Além disso, por que o Estado tem o direito de intervir na minha vida pessoal e na minha vontade de possuir uma arma? Os Estados totalitários tomaram esta medida em tempos anteriores sempre intervindo de forma autoritária no cotidiano do cidadão comum. É só olhar para o Planalto e ver quem está no poder hoje em dia.
O que eu digo
Sinceramente, qualquer referendo que fosse feito iria ter os mesmos argumentos de que a pergunta é desnecessária. Se fosse sobre o aborto, por exemplo: qual seria a diferença? Já que todo mundo sabe que os abortos acontecem diariamente no nosso país em várias clínicas. Ou sobre a legalização da maconha. Qual a diferença? Todo mundo sabe que o tráfico continuaria com outras drogas pesadas e talvez até com a própria maconha. CD é legalizado e nada impede que ele continue sendo pirateado. Maconha seria o mesmo. E provavelmente milhares de reais estariam sendo gastos em campanhas pelo sim ou não. Fazer política é caro. A democracia custa.
O Sim provavelmente não vai diminuir a violência, também sei disso. Mas dizer que vai aumentar é no mínimo um exercício de empirismo sem base alguma afinal, se há países em que a violência aumentou, há países em que a violência diminuiu. E aqui no Brasil mesmo, o fato é que nos estados onde houve maior recolhimento de armas, houve sim, maior redução de homicídios do que em outros em que a devolução foi menor. A única base anterior a ser analisada é esta e não a comparação com outros países possuindo outras condicionantes sociais, políticas, econômicas e culturais (e qualquer outro aspecto que os intelectuais gostam de citar e eu tenha esquecido. Talvez climáticas. Nem tanto, nem tanto).
Respeito quem adota a posição do não. Até porque existe um Brasil distante, aquele do interior, que não conhecemos e que imagino ser complicada a sobrevivência sem uma arma. Mas o Estatuto prevê que se a pessoa comprovar necessidade, pode sim portar uma arma.
Porém não respeito a posição do nulo. Me lembra o Chico Allencar votando nulo pela Reforma da Previdência. Que porra de posição política é essa? Covarde para mim. Enfim.
Mas bato em uma tecla mais filosófica e entro na questão dos direitos do cidadão e até onde um Estado Nacional pode interferir na vida de uma pessoa. Para começar certamente são muitos os liberais conservadores que estão defendendo o Não com o argumento do poder demasiado do Estado. Seu Olavo de Carvalho, seu Reinaldo Azevedo, etc. Pergunte a eles se são a favor do aborto, da eutanásia. Nesses casos não, para eles o Estado tem sim que se meter na vida das pessoas. É de uma contradição gritante esse tipo de direita.
Não existe isso de liberalismo extremado. Nelson Jobim, presidente do Supremo Tribunal Federal, deu uma entrevista certa vez dizendo que não existe a liberdade total de expressão. E não existe mesmo. A minha liberdade vai até aonde eu não atinjo a do outro. Isso é manual de educação para criancinhas do primário. Quero dizer com todas que, o Estado tem, sim, poder para legislar sobre certas coisas do dia-dia do cidadão. Ele tem, sim, poder para, dentro da minha casa, determinar certas normas.
Meu ponto é simples. No meu mundo mágico, com pessoas todas de branco cantando de mãos dadas "We are the Champions" em colinas gramadas, não deveriam existir armas. Já sei que vai entrar um cara vestido de preto na minha fantasia, no meio da minha multidão de branco dizendo que "isso não vai acontecer, seu idiota".
Já sei meu caro, respondo eu montado em um cavalo branco no alto da colina junto com meus seguidores utópicos. Mas pare e pense. Se nem as leis nesse país forem utópicas, o que mais será? Tem um livrinho aí que diz que toda propriedade tem que ter sua função social. Pergunta se o Brasil está cumprindo sua Constituição? Pergunta se todo mundo cumpre a lei de usar cinto de segurança? O brasileiro mija na rua, quer coisa mais escrota e fora da lei?
Tem muita gente combatendo essa proibição porque este país é de uma impunidade incrível e não porque são contra a proibição. Estão combatendo um referendo porque consideram que o Brasil tem tanto problema que este não mereceria tanta atenção e não porque são contra o Sim. Querem analisar o que está por trás da pergunta, o que se passa na cabeça dos bandidos após o referendo. Não se concentram apenas na pergunta.
Simples e de outra forma. Você acha que as pessoas têm direito de possuir armas? Pronto, acabou. Eu, sinceramente, do alto da colina gramada, vestido de branco, cantando Queen e brincando com crianças usando aquelas armas que saem uma bandeirinha escrito "No War", acho que não.
E olha que odeio aquelas passeatas que fazem o pessoal do Leblon ir às ruas pedir paz.

23 Comments:
Kafka sofreu bastante, mas acredito que ele não sucumbiria a sua consciência aos sonhos brancos.
Ele diria não, ou então não diria nada.
Bem, vamos por partes...
Você diz que o nulo é uma atitude covarde, eu refuto essa tese dizendo que covarde é aquele que escolhe um lado apenas por que a TV e o "bom-senso" comum ordena que se vote para cumprir o dever democrático. Se não tivesse o nulo não estaríamos em uma democracia, logo o voto nulo é legítimo e igualmente democrático como um SIM ou NÃO.
Outra coisa, nossa constituição é mais linda do que a da Suécia, mas de adianta lá estar escrito que o salário mínimo deve sustentar uma família durante um mês e na verdade não dá pra uma pessoa comer durante duas semanas. De que adianta ter um estatuto da criança e do adolescente e milhares de moleques na rua cheirando cola, sem perspectiva alguma. Cheira a hipocrisia, ficar louvando uma peça de ficção, enquanto as coisas pegam fogo no mundo real.
Um referendo sobre aborto adianta, por que a ação está ao alcance do Estado, sobre a maconha idem. Existem metas, planos de ação conhecidos e eficientes. Mas para o desarmamentos existem? A única meta visível é o desejo de sentar no conselho de segurança da ONU, nada mais.
Proibição não vai te garantir uma vida melhor, assim como a permissão da venda de armas, não te garante. Como a violência é um problema endêmico e estrutural do Brasil e dos países pobres em geral, não vai ser um simples aperto na tecla que vai mudar alguma coisa. O buraco é mais embaixo.
E durma com um barulho desses!!!
abraços queridon
?É de uma contradição esse tipo de direita?. Não pelos motivos que você elencou. Se não vejamos.
Seu argumento foi que os conservadores não querem ver a cara do Estado quando o assunto é porte de armas, porém quando o assunto é aborto e eutanásia querem proibir a liberdade das pessoas.
Em primeiro lugar, é falsa a idéia de que os conservadores, esses que você citou como exemplo, são contra a interferência do Estado no domínio das armas. Nunca vi o Olavo falando contra a regulamentação imposta para a liberação ao porte de arma, a qual estabelece condições que incluem a aprovação em um batalhão de testes, da mesma forma que tirar carteira de habilitação de motorista. A pessoa precisa ter ainda mais de 25 anos. Muito ao contrário, já o vi dizendo algo no sentido de que a pessoa que possui arma deveria estar obrigada a ajudar a polícia em certos casos.
Segundo ponto: a liberação do aborto é um assunto que vai além da discussão da ingerÊncia do Estado na vida particular das pessoas, caso se considere, como eu considero, que aquela coisinha expelida pelo aborto é uma pessoa. E que portanto o aborto é um assassinato. Aí você tem dois valores em jogo: a vida daquela coisinha e a liberdade da mulher de tirar algo indesejável do seu corpo. A prevalecer este segundo valor, segue que o Estado está desobrigado a proteger a vida das pessoas porque em primeiro plano está uma liberdade individual que inclui a faculdade de matar outra pessoa. É o estado natural que Thomas Hobbes imaginou em um exercício de lógica pessimista sem comprometimento com a realidade. No estado natural não havia o Estado.
Para aqueles que não consideram aquela coisinha expelida pelo aborto como uma pessoa, o que talvez seja o seu caso, então realmente a proibição do aborto é uma intromissão indevida do Estado na esfera individual. Na discussão sobre liberação do aborto, há portanto uma diferença de entendimento quanto a essência daquela coisinha expelida, o que não nada tem a ver com o fato de o Estado poder ou não se intrometer na liberdade das pessoas, a não ser, como já assinalado, que se considere que o Estado não deva proteger a vida ( e nem a liberdade, pois a pessoa cuja vida está ameaçada também tem, por conseqüência necessária e óbvia, sua liberdade ameaçada ). Você poderá dizer que o Estado, enquanto proíbe a prática do aborto, está decidindo qual a essência daquela coisinha expelida, uma vida humana neste caso, e que a decisão sobre a essÊncia daquela coisinha deveria ser deixada ao arbítrio individual, cada mãe decidindo o futuro de sua coisinha. Se o Estado adotasse essa posição, não significaria pari passu que ele estaria imparcial na questão. Pois a permissão ao aborto implica na aceitação pelo Estado de que aquela coisinha não tem vida, ou então na aceitação de que, em havendo vida, a mulher pode escolher tirá-la, o que é um assassinato dentro da lei. Nesta situação, não há isenção. Qualquer atitude ( ou omissão ) já manifesta uma posição. Pôncio Pilatos lavou as mãos, e Jesus Cristo foi crucificado do mesmo jeito.
Resta que qualquer legislação sobre o aborto já implica uma posição sobre o assunto. Ou aquela coisinha é uma vida ou não é. Não sendo possível afirmar categoricamente tanto uma quanto outra hipóteses, a atitude plausível é preservar a vida da coisinha em detrimento da liberdade da mulher de expelí-la de seu corpo.
Sempre que começa essa discus'são sobre aborto, eu digo que meus pais não queriam ter tido filho no momneto que tiveram, preferiam ter deixado para depois. Se o aborto fosse uma prática legal e culturalmente válida na época, eu poderia não existir. E nem os meus pais, que nasceram sem querer. Cito por fim uma frase do presidente norte-americano Ronald Reagan, que é uma sacada genial: "I've noticed that everyone who is for abortion has already been born."
Daniel
onde está escrito: "a atitude plausível é preservar a vida da coisinha em detrimento da liberdade da mulher de expelí-la de seu corpo.", esqueci de colocar a palavra possível antes da palavra vida. Não faz diferença quanto ao objetivo do raciocínio, mas é mais preciso usar o termo possível.
Eutanásia: necessário marcar a diferença entre eutanásia e suicídio assistido. Este requer o pedido da pessoa para ser morta tendo em vista que nas suas condições não consegue se matar. É o caso deste último filme do Clint Eastwood, um dos piopres dele, e que ganhou o Oscar de melhor filme. A boxeadora quer se matar no leito do hospital, mas não tem mais o movimento de braços e pernas, e por isso o jeito de realizar o seu intento é pedir a ajuda de seu ex-técnico e amigo.
Eutanásia, por sua vez, é matar uma pessoa que estaria sofrendo bastante, mas fazê-lo sem que a pessoa interessada esteja consciente disto. É um assassinato portanto.
O suicídio assistido é um assunto que estaria unicamente ligado ao arbítrio individual, e o Estado não deveria portanto se meter. No entanto, as leis de um país não são feitas unicamente, e nem primordialmente, com fundamento no direito natural. Há uma cultura, uma visão de mundo anterior que dá base a elas, moldando-as. O fato de se permitir que uma pessoa possa matar outra pessoa, mesmo que a pedido desta, traz consequências não apenas para as pessoas envolvidas mas para toda a nação, haja vista a repercussão havida no caso Terry Schiavo ( que não é um caso de suicídio assistido e nem de eutanásia exatamente, mas uma terceira coisa ). Nestes casos em que a cultura de um país está envolvida, penso que a discussão sobre a ingerência ou não do Estado é coisa posterior. A própria concepção de Estado depende da cultura, a qual poderá estar sendo seriamente abalada por uma decisão errada. Esse é o caso da discussão sobre o suicídio assistido, que traz no seu bojo o valor que uma cultura dispensa a vida humana.
Não está no mesmo patamar a discussão sobre desarmamento. Esta se liga principalmente a argumentos do direito natural e do bom senso, os quais mandam que um homem tenha os meios para defender a sua casa, a sua família e a sua vida.
Quando você for falar sobre um assunto delicado e espinhoso como o aborto ou a eutanásia, não deixe que sonhos brancos de alguma forma interrompam ou diminuam a sua análise sobre estes assuntos. A imaginação e os sonhos têm sentido e função intelectual na medida com que nos aproximam do real. Quando servem para nos afastar dele, aí eles se tornam monstrinhos da razão.
Daniel
Negócio tá rendendo hein,ae thiaguiN!!Ahhaha.
Bom, os argumentos do Bernardo expõe uma arrogancia pretensamente superior.Como se quem escolhe votar nulo fosse detentor de uma nova opção inimaginável pelos outros.E como se indiferença fosse rebeldia.Típica xabi.
E os argumentos do meu xará Daniel são mais extensivos.Mas uma coisa que me chamou a atenção foi que como informado de que faz direito, seus argumentos expõe uma visão contratualista, que é o que dá sentido à sua profissão. E eu, não acho que tudo na sociedade seja civilização e contrato, acho que eutanásia é uma questão complicada, porque liberdade não é fazer o que se quer, mas sim PODER fazer o que se quer, e casos de eutanásia são pessoas que não vivem mais. No sentido de que viver é existir, interagir. Sem devanear, quero dizer que não é questão do Estado se meter em casos de suicidio assistido ou eutanásia, visto que pra mim não existe essa coisa do contrato de garantia de vida e etc. Existe um jogo de cintura nessa questão, podendo-se justificar uma omissão do Estado em casos onde a vida já não é mais vida, e sim outra coisa. Aborto também é polêmico,mas simplificando acho que o meio-termo seria a concessão de aborto para casos de estupro. Não quero me prolongar,porque ainda quero escrever pro meu blog então é isso hehe!Abraços
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Esta discussão mudou a minha vida, por incrível que pareça. Me fez sentir quão impotentes somos, na verdade, diante da grande mídia, diante do fanatismo, diante do biaxo nível de esclarecimento e educação política do brasileiro. Assumo que estou um tanto desacreditado em relação ao exercício da democracia. Mas, de qualquer forma, gostaria de manifestar meu ponto de vista sobre a escolha que faremos no dia 23.
Existem os que, por convicção, princípios, experiências pessoais ou ideologia, votarão SIM no dia 23 de outubro.
Por outro lado, há os que vêm nas falhas de argumentação, na hipocrisia da campanha, no fato de a grande mídia ter-se valido dos meios de persuasão dignos ded asco, como o uso de ídolos populares.
Ambas as campanhas apresentam furos bizarros, apelações nojentas, estatísticas subvertidas etc.
Portanto, exite um ponto comum entre os dois pontos de vista: o quão despropositados eles são; o quão despropositado este referendo é; o quão inóquas são as propostas e como, mais uma vez, estamos nos deixando ludibriar por um aparelho de estado corrupto.
Por isso, rogo a vcs que reflitam, não peço que seja por muito tempo. Pelo menos pensem se realmente existe alguma opção. Eu já fiz minha reflexão e, desolado, cheguei a uma conclusão que sempre figurou como incogitável. Para mim, não há opção neste referendo. Infelizmente, minha cidadania sangrará daqui a 13 dias: meu voto será NULO. Anularei para deitar minha cabeça no travesseiro sabendo que fiz minha parte. Anularei por impotência. Anularei por desespero diante de um povo para o qual é difícil ver luz. Meu título chora. Minhas convicções e sonhos, apunhalados, de mãos dadas, penarão para equilibrar-se em um fio de esperança.
Eu ainda não acredito que vou votar nulo.
Xará Daniel,
minha visão de mundo não é contratualista. Ou você não leu a parte do post em que digo que a liberdade da mulher de realizar um aborto, à qual me opus, é uma liberdade conforme concebida por Thomas Hobbes, exatamente o pai da visão contratualista? Por outro lado, vc afirmou que liberdade deveria ser entendida como poder fazer o que se quer. Foi exatamente esse o conceito de liberdade que usei no meu comentário.
Então uma pessoa que vai sofrer eutanásia deixou de viver, rapaz, porque ela não existe e interage mais? Se fosse sua mãe em um caso desses, e houvesse a mínima chance de ela sobreviver, vc não permitiria que ela fosse morta. E mesmo que não houvesse qualquer esperança médica a eutanásia é um erro. Volta e meia aparece um caso de uma pessoa que está há não sei quantos anos em coma e aparece falando de repente. Se eu entrar em coma, quero ficar no hospital dando prejuízo para o plano de saúde até acordar e matar a enfermeira do coração com o susto.
De que contrato de garantia de vida eu falei no meu texto? Acho que te incomoda o fato de eu considerar um moribundo ainda um ser humano. Tem razão, eu considero mesmo.
ah, numa boa. Tem um grande senso comum, que não passa de um mal-entendido burro e ignorante de que a legalização de alguma coisa implica em oba-oba.
Quando a coisa na verdade é bem diferente, legalizar alguma coisa, é regulamentar aquela parada a um uso social comum, para que as pessoas possam exercer seus direitos de desejar ou não fazer determninada coisa.
Então não quer dizer que se legalizarem a eutanásia, todo mundo que pegar uma gripe vai receber um tiro na cabeça, ou então se legalizarem o aborto, as mulheres que estiverem de saco cheio de ficar grávidas, vão lá tiram, vão pra casa e ainda saem pra night depois.
Ainda quanto ao aborto, não concordo que aquela coisinha ali que sai é um ser humano ainda, é um ser em gestação, ele não pensa, não reage como tal. Aliás, um bebê só toma consciência do mundo após 3 meses de existência, isso não quer dizer que possamos matar bebês a torto e a direito por aí, mas é só para ilustrar como um aborto até os 3 meses de gravidez não é algo de outro mundo.
O xará do Daniel parece ter uma visão muito machista aliás, pois deixa a entender que as mulheres não devem ter poder de decisão nem ao menos sobre seu corpo.
Considero pôr um filho no mundo, ou vários, mas sem ter um mínimo de condições para sustentá-lo uma crueldade um milhão de vezes maior do que a de um aborto de um feto. Vide a enorme taxa de mortalidade infantil que o nosso país possui.
Taxa essa, resultado de uma política de Estado, completamente restritiva aos direitos da mulher, e subordinada a uma Igreja fanática, que para nossa sorte, esta fadada ao fracasso.
Se eu sou machista, você é um feminista imbecil, que acha que as mulheres têm o direito de matar os seus filhos, inclusive os que têm menos que três meses, porque ainda não desenvolveram atividade cerebral.
Pouco importa que vc não concorde que a coisinha não é um ser humano. Vc não pode provar o que acha, nem eu posso provar que a coisinha tem vida, então cala a boca e deixa a coisinha viver. Ou então vai se alistar em um grupinho néo-nazista para quando vcs chegarem ao poder junto com seus amiguinhos comunistas poderem realizar experimentos inspirados pelo mestre Joseph Mengele, o Anjo da morte.
Se quiser discutir ética ou qualquer assunto comigo, não vem com esses rótulos fáceis, porque esse é um expediente baixo, reprovado até pelo Partidão nos idos da década de 60, traga argumentos. Seja homem e leia novamente o comentário que eu escrevi para ver se o que eu disse é que a mulher não deve ter poder sobre o seu corpo. Lê de novo, que vc não entendeu.
Não é crueldade por um filho no mundo tendo parcos recursos, crueldade é não dar ao seu filho uma educação que o ensine a viver com dignidade em qualquer situação financeira.
Quando vocês abortistas já não aguentam mais terem que discutir com argumentos, apelam para o artifício salvador de dizer que ser contra o aborto é uma visão obscurantista, aliada da Igreja. Tanto faz para mim, meu argumento não precisou uma vez chamar a ajuda da Igreja e nem mesmo o seu Jizuis. Mas essa foi e é outra forma pequena de debater.
O Negócio é o seguinte: Fico muito feliz de termos debates de idéias, visões bem diferente de mundo.
Mas embrem-se, Apenas uma Visão Despretensiosa! Nada mais.
Na democracia temos diversos tipos de opiniões e temos que, por mais que haja uma discordância, ter respeito pelo contraditório.
Discordo de muita coisa que foi escrita acima mas em momento algum desrespeitaria pessoas tão inteligentes e que além de tudo considero. É no mínimo patético acontecer uma coisa dessas!
Para validar meus argumentos de um jeito bem intelectual: Foucault tem um livro bem legal em que cita o papel dos polemistas nas discussões. São aqueles que interditam o debate e não deixam que uma troca maior de idéias aconteça.
Me perdoem, mas é idiotice que moleques de 20 anos como nós achemos que temos base para discutir o mundo com a arrogância de taxar uns aos outros com adjetivos nada agradáveis. Não temos opinião sobre tudo e muito menos base para dizer que o oposto do que pensamos é rídiculo, etc. Podemos achar errado, nunca criticar desta forma.
Sendo bem claro: Amplamente desnecessário tudo isso. E eu estava feliz até então com o debate, espero que ele continue em termos civilizados nos próximos textos.
Abracin
Bernardo, releve o uso da palavra imbecil que utilizei e troque-a por sabichão. A palavra imbecil tem uma carga negativa grande para ser usada aqui.
................
É idiotice dizer ser idiotice que muleques de 20 anos fiquem usando adjetivos por aí.. Vai que um desses muleques se sente ofendido..
Concordo com o Thiago... Existem muitas pessoas que encaram discussões como se fossem uma batalha, e de onde sairíam vencedores ou perdedores. Daí essa necessidade de convencer a qualquer custo e de nunca adimitir que EM ALGUNS ASPECTOS, o argumento oposto pode ser mais forte. Uma boa discussão não pode ser polarizada em dois extremos, "sim" ou "não", "a favor" ou "contra", "amo" ou "odeio"... Acredito que existem infinitas possibilidades nesses intervalos e combinações múltiplas podem ser feitas. Não estou criticando ninguém, que fique bem claro. Só falo isso porque vejo muitas discussões que poderiam ser super produtivas acabarem em meras "rixas", onde cada um sustenta a sua posição até às últimas consequências e utiliza argumentos cada vez mais deslocados do ponto central da discussão. Enfim...
Quanto à questão do desarmamento, voto NÃO. Mas não vou ficar aqui listando cada argumento porque qualquer cidadão que assista à tv ou leia jornal já está cansado de sabê-los. Voto NÃO por razões pragmáticas. Sou contra até a existência de armas de fogo e também tenho aquela utopia do Thiago de um mundo harmônico e feliz. Mas utopias não são a única coisa que me guia. Acho imprescindível pensar em termos práticos "o que significaria o desarmamento para o nosso país". Por enquanto acredito que traria mais consequências más do que boas. É uma estimativas, claro. Impossível se basear em qualquer empirismo, porque como você mesmo já disse as condições brasileiras não se comparam às de nenhum outro país. Respeito quem vota SIM, mas o que tenho visto são argumentos muito mais afetivos do que lógicos. Sao valores, princípios, ética. Mas não podemos esquecer que assim como uma constituição não determina uma realidade social, não será uma lei (por mais bem intencionada que ela seja) que formará cidadãos pacíficos e anti-violentos. Isso é possível sim, mas acredito que por outros meios...
hé...causei a ira da juventude pefêlista pelo visto, to muito feliz!!
Vou ser promovido na hierarquia do politburo do Partidão agora, por bons serviços prestados à causa comunista!
hahahahaha...só rindo mesmo!
Provavelmente o comentário menos polêmico daqui mas vamos lá...
Sobre votar nulo o que mais ouço é: se há toda uma conjuntura errada e inúmeras outras coisas também deveriam ser mudadas , como apoiar uma decisão, qualquer que seja? Nesse ponto discordo ... O brasileiro adora fugir à responsabilidade ( generalizações à parte), e em uma das poucas vezes na história em que o governo pede enfim a opinião da população já querem logo tirar o corpo fora. ah claro, para depois reclamar do governo...
Bom de resto eu mesma ainda estou indecisa quanto ao que votar, e sinceramente respeito os dois lados...
Na verdade até acho que muitas outras coisas tem de mudar, mas temos que começar de alguma forma à assumir responsabilidades à respeito do futuro do país.
PS: gostei muito do texto menino.. beijão!
Provavelmente o comentário menos polêmico daqui mas vamos lá...
Sobre votar nulo o que mais ouço é: se há toda uma conjuntura errada e inúmeras outras coisas também deveriam ser mudadas , como apoiar uma decisão, qualquer que seja? Nesse ponto discordo ... O brasileiro adora fugir à responsabilidade ( generalizações à parte), e em uma das poucas vezes na história em que o governo pede enfim a opinião da população já querem logo tirar o corpo fora. ah claro, para depois reclamar do governo...
Bom de resto eu mesma ainda estou indecisa quanto ao que votar, e sinceramente respeito os dois lados...
Na verdade até acho que muitas outras coisas tem de mudar, mas temos que começar de alguma forma à assumir responsabilidades à respeito do futuro do país.
PS: gostei muito do texto menino.. beijão!
Caralho o circo pegou fogo,sinistro.Po numa boa, mas relembro junto com o thiago.E queria aproveitar a polêmica pra fazer propagando do meu blog tb, amanhã devo botar um texto sobre desarmamento ai vocês continuam a briga lá hehehe!
http://nemtaoinutil.blogger.com
Quem ficou irado foi o seu Daniel aqui, codinome Baudolino. A juventude pefelista não teve os humores alterados porque não participou do debate.
Ae, thiaguin! provocando a ira dos leitores do seu promissor blog!PARABENS!
Só queria dizer que repudio com veemencia (politicozon) as ofensas gratuitas a cima, pois, a quem falta argumentos, só resta a ignorancia. E só pra lembrar, acredito que um dos motivos de se ter espaços como esse do Thiago é justamente para debatermos livremente assuntos que nos interessam!
Quanto ao voto, VOTO SIM, mas não vou querer aqui, tentar convencer alguém do mesmo, até por falta de saco mesmo!hahaha
Quero uma sociedade de paz! E pra que armas? Mesmo que quem morra, seja um ladrão...?Tenho isso como ideal de sociedade,e ponto final! abraços a todos!
A você, seja por falta de saco mesmo, ou por outro motivo, faltaram os argumentos, porém aquilo que você chamou de ignorância não restou no seu comentário.
Você foi incoerente.
o q me fez de fato definir pelo NÂO foi o fato de q com armas legais tem-se o controle das mesma pelo menos a fins investigativos no caso de incidentes e acidentes. Dessa forma, cadastrados, ajuda a polícia a achar o dono, uma vez q não legalizado seria uma busca mais complexa e até interminável. Sou contra arma e violência, porém, pensei no q fosse melhor, sem utopias e ilusões particulares.
bjsss
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