
Ouvi na Rádio Globo que um presidente de um clube na Suécia devolveu o dinheiro do ingresso para os torcedores depois de uma derrota patética do time da casa por 8 a 1. Um costume interessante que se adotado aqui tornaria meu hobby de graça de vez em quando.
Tenho muitos hobbies. Ver televisão, jogar bola, sair... até de ficar na cama jogando uma bola de pelúcia pro alto. Encontrei mais um, muito mais legal que ler a mesmice diária nos jornais (estes abandonei).
Fanfarrices no Poder II
Fiz um texto faz um tempo em que defendia os políticos de fazer o que bem entendessem na sua vida pessoal. Mas descobri um jeito de fiscaliza-los se andam aprontando fanfarrices enquanto estão no batente. Ultimamente para passar o tempo ficava no MSN conversando o nada que não ia levar a nada. Na TV, apenas um pouco de futebol e clipes da MTV. Ás vezes um pouco de João Kleber ás segundas. Confesso que encontrei na Internet algo bem divertido para passar o tempo.
Se o internauta quiser pode entrar no site de todas as câmaras de vereadores e deputados do Brasil inteiro e pesquisar o que o indivíduo que ganhou o seu voto anda fazendo. Tem de tudo, desde a freqüência do parlamentar até seus discursos e projetos de lei propostos. Existe hoje uma democracia efetiva no país, o problema é o brasileiro classe média com acesso a esses meios ter paciência para pesquisar. Garanto, é hilário.
Comecei pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro localizada na cidade mais limpa que Paris, de acordo com nosso prefeito. Lá reina Jorge Picciani (PMDB), um fenômeno de investidor, de dar inveja a Bill Gates. O presidente da casa no período de 1997 a 2001 teve aumento patrimonial de 278% na sua riqueza. Fora a acusação de trabalho escravo nas suas propriedades rurais. Não é nada, não é nada... Não é nada (Licença Ancelmo Góis). Foi vendo uma entrevista sua que descobri o que Alice Tamborindeguy (PSDB) anda fazendo na câmara estadual. Seu último projeto proíbe que os cartões postais brasileiros tenham mulheres com os traseiros expostos, realmente uma brilhante política de combate a prostituição. Imaginando que cada projeto desse para ser aprovado passa por uma comissão, depois outra, vai pro plenário e tem que passar por dois turnos, nota-se quanto tempo é perdido nas discussões irrelevantes.
Fui para a Câmara dos Deputados de Brasília. Lá o dono do pedaço é um comunista que inexplicavelmente não é acusado de saber do mensalão. José Dirceu, o vilão brasileiro sabia. Aldo Rebelo (PcdoB) que era o articulador político do governo no Congresso não. Este adorador confesso de Floriano Peixoto tem propostas muito interessantes para mudar o Brasil. A instituição do Dia do Saci e o não uso de estrangeirismo no português. Prepare-se para chamar este acessório ao lado do teclado de rato. Fui fuçar a vida dos parlamentares.
O doutor Enéas, figura pouco presente no plenário, propôs um projeto de lei no mínimo inusitado. A ementa diz que o projeto "proíbe a produção e comercialização de alimentos em forma de cigarros ou de outros produtos derivados do tabaco". Esta medida certamente deve mudar o país, a partir dela devemos ter juros mais baixos, impostos mais justos, melhores hospitais, etc. Mas o médico deve saber o que está propondo.
Depois fui checar a vida de parlamentar do Babá (PSOL). Ele mostrou tanta virilidade quando Bush veio ao Brasil (a figura quis entrar na Granja do Torto pra bater no texano) que quis ver se na câmara ele é tão bom assim. Sua atuação na Câmara limita-se a propor a convocação de ministros para depor em comissões da casa. Mas o que chama mais a atenção deste fanfarrão é a sua assiduidade. Em plenário, Babá consegue passar de ano com 79,5% de idas. No entanto, se formos ver sua participação em comissões (onde realmente acontece o trabalho de legislar), o deputado fica reprovado (pena que ele não conheça meu professor Welman) com apenas 62,1% de presença. Muitos deles devem repetir esta prática. Uma façanha se analisarmos que a semana de um parlamentar começa terça e acaba quinta.
Ângela Guadagnin (PT) vem se tornando personagem folclórica com sua defesa veemente do deputado José Dirceu. É sua advogada na Comissão de Ética. Sua PL apresentada em 05/02 institui o Dia Nacional para o Controle da Depressão e Ansiedade. Deputados gostam de propor dias especiais que nada mudam pro povo. Se ao menos virasse feriado para não trabalharmos. César Maia fez Zumbi que pelo menos dá umas horinhas pro povo descansar.
São muitos os exemplos e espero estar sempre divulgando estas graças parlamentares por aqui. Isso não sai na imprensa e é muito mais divertido que ler o Noblat, por exemplo. Mostra como Sarney estava certo quando disse que vivemos uma crise de homens, não de instituições. Mostra o quão despreparada é a classe política que comanda o país em todos os poderes. Mostra que devemos saber dessas palhaçadas para votarmos bem em 2006.
O ex-deputado Humberto Reis do Piauí faleceu com 87 anos e uma de suas exigências era ser enterrado em pé, pois (olha isso), "nunca se curvou a ninguém e não queria se curvar depois de morto". Nós é que estamos nos curvando a esse tipo de gente que faz o que quer.
No terceiro ano aprendi uma frase de Lima Barreto. O Brasil não tem povo, tem público. É verdade.




